A cibersegurança deixou de ser uma preocupação exclusiva do setor corporativo. Hoje, ela representa um dos maiores desafios sociais do século XXI, com governos, serviços públicos e infraestruturas críticas cada vez mais expostos a ameaças digitais que apagam a linha entre paz e conflito armado.
No primeiro episódio da segunda temporada do Brass Tacks: Talking Cybersecurity, Joe Robertson recebe Annita Sciacovelli — professora de Direito Internacional na Universidade de Bari, ex-membro do conselho consultivo da ENISA (Agência Europeia para a Cibersegurança) e atual assessora jurídica do Ministério da Defesa italiano em matérias de cibersegurança e ciberguerra. Juntos, exploram como Estados utilizam operações digitais, pressão econômica, desinformação e disrupção de infraestrutura de forma coordenada para exercer coerção sobre sociedades inteiras — muitas vezes sem jamais declarar guerra formalmente.
A sociedade como alvo principal dos ciberconflitos modernos
Um dos pontos mais relevantes levantados por Sciacovelli é que os cidadãos não são meros danos colaterais nos conflitos cibernéticos contemporâneos — eles são, frequentemente, o alvo intencional. Ataques direcionados a serviços essenciais como energia, transporte, finanças e administração pública são concebidos estrategicamente para erosionar a confiança nas instituições e fragilizar a resiliência social.
Ao comprometer a rotina cotidiana da população, essas operações geram pressão psicológica e alavancagem estratégica, tornando as ciberoperações um instrumento eficaz de coerção — mesmo sem o uso de violência física direta. Esse entendimento reposiciona a cibersegurança como uma questão de interesse público de primeira ordem.




