Falar sobre mulheres na tecnologia não é apenas falar sobre representatividade. É falar sobre quem está construindo o futuro.
Neste 23 de abril, a ITU celebra o Dia Internacional das Meninas nas TIC 2026 com o tema “AI for Development: Girls Shaping the Digital Future”. A data chega em um momento em que a inteligência artificial redefine carreiras, negócios e mercados inteiros — e, nesse cenário, ainda precisamos repetir o que deveria ser óbvio: mulheres não devem ser apenas usuárias da tecnologia. Elas precisam estar entre as pessoas que criam, lideram e decidem seus rumos.[/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner][us_separator][vc_column_text]
Mulheres fundadoras de empresas de IA: do símbolo à estratégia
A Forbes Brasil trouxe à tona nomes que já não cabem mais no campo da exceção. Fei-Fei Li, da World Labs. Mira Murati, da Thinking Machines Lab. May Habib, da Writer. Lin Qiao, da Fireworks AI. Demi Guo e Chenlin Meng, da Pika. Daniela Amodei, da Anthropic. Lucy Guo, ligada à Scale AI e à Passes.
Não estamos falando de presença simbólica. Estamos falando de mulheres que levantaram centenas de milhões de dólares, lideram empresas altamente estratégicas e influenciam diretamente o avanço da IA no mundo.
O problema: menos de 2% do capital de risco para equipes femininas
Esses casos inspiradores coexistem com uma realidade que incomoda: equipes fundadoras compostas exclusivamente por mulheres recebem menos de 2% do capital de risco disponível. Ao mesmo tempo, os investimentos em empresas de tecnologia ultrapassaram US$ 100 bilhões em 2024, representando cerca de um terço de todo o venture capital movimentado globalmente.
O dinheiro está circulando. A inovação está acelerando. Mas o acesso às oportunidades continua desigual.
E isso não é apenas um problema de diversidade. É um problema de visão estratégica de futuro.
Por que a diversidade de gênero melhora a qualidade da IA
Quando a tecnologia é construída por grupos com repertórios muito parecidos, ela tende a reproduzir os mesmos vieses, as mesmas lacunas e os mesmos limites. Sistemas de inteligência artificial refletem quem os cria, e isso tem consequências diretas para a sociedade.
Discutir mulheres na IA é, portanto, também discutir:
Qualidade da inovação: soluções mais completas surgem de perspectivas diversas
Responsabilidade no desenvolvimento: quem constrói influencia o que a tecnologia prioriza
Amplitude de impacto: tecnologia criada por grupos heterogêneos tende a servir melhor a grupos heterogêneos
Isso é argumento técnico, não apenas ético.[/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner][us_separator][vc_column_text]
Inclusão começa pela capacitação: o papel da educação em IA
Valorizar mulheres na tecnologia não pode se resumir a um post em data comemorativa. Precisa aparecer no acesso à formação, na criação de oportunidades reais, na visibilidade dada às especialistas e na forma como empresas contratam, promovem e desenvolvem talentos.
Porque não falta capacidade. Não falta competência. O que ainda falta, em muitos casos, é espaço, incentivo e continuidade.
Capacitação é uma ferramenta de inclusão. Quando o mercado amplia o acesso ao conhecimento, ele amplia também quem pode participar da construção do futuro. Isso vale para:
Meninas que estão escolhendo seus primeiros caminhos profissionais
Mulheres em transição de carreira para o setor de tecnologia
Profissionais que já atuam na área, mas precisam de mais espaço para crescer
Se a IA será uma das forças mais decisivas da próxima década, então formar mais mulheres para esse ecossistema não é apenas desejável. É necessário.
O recado central do Dia Internacional das Meninas nas TIC 2026
O futuro da tecnologia não pode ser desenvolvido por uma visão única.
As mulheres já estão provando que podem fundar, liderar, escalar e transformar empresas de IA em negócios relevantes globalmente. O que precisamos agora não é apenas admirá-las. É garantir que elas deixem de ser exceção.
Porque quando mais mulheres constroem tecnologia, a inovação fica mais inteligente, mais humana e mais preparada para o mundo real.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Análise sobre as transformações apresentadas no evento reforça papel estratégico da liderança inclusiva na era dos agentes inteligentes
O Web Summit Qatar 2026 trouxe à tona discussões que vão muito além das inovações tecnológicas pontuais. Conforme destacado por Graziela Sbardelotto, única brasileira no lineup de palestrantes do evento, o encontro em Doha demonstrou que estamos diante de uma reconfiguração completa dos modelos de negócio no marketing e no varejo.
A executiva apresentou reflexões que conectam três pilares fundamentais: a urgência da transformação digital, o papel dos agentes de IA na jornada do consumidor e a necessidade de lideranças mais diversas para conduzir essas mudanças com responsabilidade.
Quando a barreira de gênero encontra a Inteligência Artificial
Um dos pontos centrais abordados por Sbardelotto diz respeito aos obstáculos que ainda permeiam a carreira de mulheres em tecnologia. Os dados apresentados são contundentes: mais de dois terços das profissionais identificam o viés inconsciente como principal desafio, enquanto a maioria esmagadora relata precisar demonstrar desempenho superior ao de colegas homens para alcançar o mesmo reconhecimento.
Essa realidade ganha nova camada de complexidade quando consideramos o avanço acelerado da inteligência artificial. A tecnologia que promete ganhos expressivos de produtividade — casos como a plataforma WPP Open indicam melhorias de 30% — também carrega o risco de perpetuar discriminações históricas se não for implementada com olhar crítico.
A proposta defendida pela executiva aponta para uma liderança que equilibre competências técnicas com habilidades essencialmente humanas: empatia, escuta ativa e intuição. Trata-se de reconhecer que, num ambiente progressivamente automatizado, o diferencial competitivo reside justamente naquilo que as máquinas não replicam.
Outro aspecto relevante das discussões em Doha relaciona-se à transformação radical do conceito de mídia. Como observado por Sbardelotto no palco de New Media, o erro estratégico mais comum das empresas consiste em tratar novos canais com lógicas antigas, quando na verdade testemunhamos a emergência de ecossistemas completamente distintos.
A mudança descrita pela palestrante envolve três movimentos simultâneos: a substituição de displays estáticos por interações conversacionais, a evolução de uma postura passiva para uma abordagem preditiva que antecipa demandas, e o fim definitivo da comunicação em massa substituída por personalização individualizada em escala.
Nesse novo contexto, marcas precisam desenvolver quatro características fundamentais para permanecerem relevantes: capacidade de diálogo em linguagem natural, presença contextual nos momentos de decisão, integração sistêmica de dados e credibilidade suficiente para serem recomendadas por agentes autônomos.
O fim do funil de vendas como conhecíamos
Talvez a transformação mais radical destacada por Sbardelotto seja a obsolescência do modelo tradicional de jornada do consumidor. A executiva propõe que o principal concorrente de qualquer marca deixou de ser outra empresa do mesmo setor para se tornar a interpretação que sistemas de IA fazem daquela categoria de produto ou serviço.
Enquanto o funil clássico baseava-se em etapas de conscientização, consideração e decisão de compra, a nova dinâmica opera em três dimensões distintas: relevância algorítmica, confiança depositada por agentes autônomos e execução invisível ao usuário final. Agentes de IA não deliberam longamente — avaliam variáveis e tomam decisões em frações de segundo.
Isso significa que marcas não otimizadas para a lógica de funcionamento desses sistemas simplesmente desaparecem do radar dos consumidores, independentemente da qualidade de seus produtos ou da força de seus investimentos publicitários tradicionais.
Transformação antes da obsolescência forçada
A síntese apresentada por Graziela Sbardelotto aponta para uma conclusão inequívoca: o crescimento sustentável em 2026 não será resultado de ajustes incrementais, mas da coragem de reinventar estruturas consolidadas antes que o mercado imponha essa transformação de maneira traumática.
A participação da executiva brasileira no Web Summit Qatar valida que as tendências observadas no mercado nacional dialogam diretamente com movimentos globais. Mais do que isso, reforça a tese de que lideranças diversas não representam apenas uma pauta de inclusão, mas constituem requisito fundamental para inovações mais éticas, sustentáveis e alinhadas com a complexidade do momento atual.
A convergência entre tecnologia e humanidade no marketing e no varejo, conforme defendido por Sbardelotto, exige profissionais capazes de questionar vieses algorítmicos, integrar gerações distintas e buscar excelência sem cair na armadilha do perfeccionismo paralisante. O futuro já chegou — e quem não estiver preparado para dialogar com agentes de IA pode descobrir que sua marca simplesmente deixou de existir.
[/vc_column_text][us_separator size=”small” show_line=”1″][vc_column_text]Artigo baseado nas reflexões apresentadas por Graziela Sbardelotto no Web Summit Qatar 2026[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]